De alguma forma, durante a noite, mexera-se na cama até onde Zac estava deitado. Mas não estava apenas do lado dele: estava grudada dele. As pernas estavam entrelaçadas nas dele, seus seios pressionando contra os músculos e a mão em volta da cintura. Além disso, seu rosto estava grudado nas costas dele. Podia sentir o calor e o perfume da pele dele.
Vane permaneceu deitada, mal conseguindo respirar, ciente das batidas violentas e erráticas de seu coração. Meu Deus, estou praticamente dentro dele.
Mas como isso pode ter acontecido?
Lentamente, começou a se desvencilhar, cada pequena parte de seu corpo atenta à possibilidade de ele talvez acordar e então...
Pareceu uma eternidade o tempo que demorou até conseguir sair de debaixo das cobertas. Andando nas pontas dos pés, tentando evitar fazer qualquer barulho, ela encontrou a camisola e vestiu-a. Puxou um pouco as cortinas e olhou para fora. Nevara novamente durante a noite, ela percebeu sem prazer. E ainda havia alguns flocos passando pela vidraça.
Não era de admirar que estivesse congelando de frio, ela pensou, testando o radiador com dedos cuidadosos. O aquecedor não estava funcionando, o que significava que provavelmente havia algo de errado com o boiler.
Ela gemeu silenciosamente. Era tudo de que precisava.
Saiu do quarto e foi até a cozinha. Café era a prioridade, ela disse colocando, água na chaleira. Forte e quente.
Depois foi para a sala e abriu as cortinas. Quando voltou à cozinha, não havia ruído algum de água fervendo ou traço algum de vapor. De repente, lembrou-se da advertência de Angus sobre a queda de luz.
- Oh, não...
Tentou acender a luz e nada. Abriu a torneira, fias não havia água quente.
- Está sentindo o frio, caríssima?
As palavras suaves fizeram-na se virar rapidamente para ver Zac à porta.
- Não é óbvio? - ela respondeu, na defensiva, observando que, apesar do frio, ele só estava com uma toalha na cintura.
O sorriso dele alargou-se. Ele aproximou-se, deslizando as duas mãos em volta da cintura dela, os lábios roçando-lhe o pescoço.
- Você deveria ter ficado na cama comigo - ele sussurrou. - Meu humor está muito melhor esta manhã.
- E espero que continue assim - Vane disse amargamente, tentando livrar-se dele. - Especialmente quando eu disse que estamos sem eletricidade.
- Davvero? - Ele pareceu mais interessado do que perturbado. - Bem, não é o fim do mundo.
- Não? - Ela desvencilhou-se e andou para trás.
- Temos uma lareira, vela e um fogão onde cozinhar. - Ele deu de ombros. - A vida continua.
- Mas não tem água quente. Não posso tomar nem um maldito banho. - Ela levantou os punhos cerrados. - Oh, Deus!, por que eu vim para este inferno de lugar?
- Esta é uma pergunta que você mesma deveria responder. - Ele fez uma pausa. - Seu pai uma vez me disse que temia ter mimado você em excesso. Acho que estava certo.
- Não ouse falar de meu pai - ela disse furiosa. - O que você acha que ele pensaria se soubesse que você não cumpriu sua palavra?
- Ele me pediu para dar tempo a você. Não para esperar para sempre. - O tom dele era brusco. -Agora vamos ser práticos. - Ele abriu o armário e tirou várias panelas. - Se você quiser, pode tomar banho. Só não vai ser luxuoso.
Vane franziu o nariz.
- Você está querendo dizer que vamos carregar água quente lá para cima em panelas?
- Não. Vou fazer isso para você, condessa. - Ele pegou uma panela bem menor. - E antes que você pergunte, esta aqui é para você ferver a água do | café.
Ela mordeu o lábio.
- Foi para isso que desci, para fazer café...
- Acho que não. - O sorriso dele era irônico. - Você desceu, cara mia, porque percebeu que tinha passado a noite acomodada no meu corpo de um jeito que me fez precisar de todo o meu controle para resistir a você.
Ele passou por ela e começou a encher as panelas na pia.
Queimando de raiva da cabeça aos pés, ela saiu da cozinha e foi para o quarto separar a roupa para vestir. Tinha acabado de fazer a cama quando Zac apareceu à porta.
- Seu banho a espera, signora.
- Com licença, então.
A temperatura do banho estava perfeita, e para sua irritação ele tinha colocado na água seu óleo de banho predileto. Rapidamente, tirou a camisola e entrou na banheira, pegando o sabonete e esfregando com força na pele em uma tentativa vã de esconder o fato de que estava sofrendo.
O ruído do piso a trouxe de volta para o presente e para a visão de Zac entrando no banheiro, carregando uma panela grande.
- Está ótimo assim, obrigada - ela disse.
- Mas não está para mim, caríssima - ele falou sedosamente. - Quero que a temperatura suba um pouco.
- Ele colocou o conteúdo da panela cuidadosamente na banheira, tirou a toalha que usava e juntou-se a ela.
- O que você acha que está fazendo?
- Tomando banho - ele disse, esticando o braço.
- O sabonete, por favor, sposa mia.
Ela entregou-lhe, tirando voz não sabia de onde.
- Você não se importa com o fato de que eu talvez prefira um pouco de privacidade?
- E pode ter, assim que a luz voltar.
- Obrigada - ela disse. - Mas eu já terminei.
Era estranho sair da banheira sob o olhar cínico dele, mas ela conseguiu, colocando rapidamente a toalha em volta do corpo.
- Você poderia esfregar as minhas costas antes de sair? - ele perguntou.
Vane mordeu o lábio. -Não.
- Mas você não achou tão desagradável assim me tocar a noite passada, mia bella.
- Porque - ela disse - eu ainda estava fingindo que você era outra pessoa, signore. - Ela acrescentou, friamente: -Acho que funciona muito bem.
E saiu do banheiro.
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